Vim-me para a Bahiaa
amostrar meu son cubano
E fiquei impressionado
Pelo que aqui existia.
A dança, a melodia
de um querido povo irmão
que me mostrava sua mão
de música e poesia.
Acarajé no tabuleiro
Vatapá no papelzinho.
O aipim no cafezinho
E tudo ao som do pandeiro.
Até a quinta sinfonia
Já me soava estranha
Pois ao descobrir as manhas
E as riquezas da Bahia
Já nada porém existiade ruim
Na minha cidade estranha.
Andei e andei decidido
Para assim seguir olhando
A capoeira dançando
berimbau no meu ouvido.
E os orixás que me falam
Nos cultos do Candomblé
Que Umbanda veio depois
E as brigas que ralaram.
Mas aqui não acaba o tranco
Um detalhe importantíssimo
é o esbelto e belíssimo
Itapoá vermelho e branco.
E das festas nem se falam
Elas existem sozinhas
Pois carnaval na cozinha
trios elétricos se instalam.
O baiano é preguiçoso!
Tem quem diz por aí
Mas não esquente sua cabeça,
também veio do tupi.
Eu não sei como acabar
este son cubano inteiro
pois tanto há pra falar
do terreiro do pandeiro!
Caetano, Bethaninha,
Gal Costa e Gilberto Gil,
Até a mesma Simonediz
que ela veio daqui.
Dorival com seu Caymi,
e a bela prosa ardente
Olhando no sol bem quente
decifrava sua fonia
que depois de alguns anos
eram hinos da Bahia.
Ainda falta o forró,
os bois, São João,
enfim
Que é loucura o que eu vejo
nas lavagens do Bomfim.
Até o prefeito se instala
nesta cultura “maluca”.
Pregando os evangelhos
para alimentar muvuca.
E então todo o mundo vota
e ele sai vencedor
Aqui o mundo está em joelhos.
Ai! Onde estás meu Sr?
Vou fechar este romance
porque o tempo não me alcança
para botar na balança
o baiano com seus transes.
Vim-me aqui à Bahia
a mostrar meu son cubano
mas a paixão já existia
e fiquei na contramão.
Luis Alberto Alonso/Versos scritos para uma monografia de Antropologia/ UFBA.2005
