Son Pra Bahia  escrito em sexta 19 outubro 2007 03:20

son pra bahia

Vim-me para a Bahiaa

amostrar meu son cubano

E fiquei impressionado

Pelo que aqui existia. 

A dança, a melodia

de um querido povo irmão

que me mostrava sua mão

de música e poesia.

 Acarajé no tabuleiro

Vatapá no papelzinho.

O aipim no cafezinho

E tudo ao som do pandeiro.

 Até a quinta sinfonia

Já me soava estranha

Pois ao descobrir as manhas

E as riquezas da Bahia

Já nada porém existiade ruim

Na minha cidade estranha. 

Andei e andei decidido

Para assim seguir olhando

A capoeira dançando

berimbau no meu ouvido. 

E os orixás que me falam

Nos cultos do Candomblé

Que Umbanda veio depois

E as brigas que ralaram. 

Mas aqui não acaba o tranco

Um detalhe importantíssimo

é o esbelto e belíssimo

Itapoá vermelho e branco. 

E das festas nem se falam

Elas existem sozinhas

Pois carnaval na cozinha

trios elétricos se instalam. 

 O baiano é preguiçoso!

Tem quem diz por aí

Mas não esquente sua cabeça,

também veio do tupi. 

Eu não sei como acabar

este son cubano inteiro

pois tanto há pra falar

do terreiro do pandeiro!

 Caetano, Bethaninha,

Gal Costa e Gilberto Gil,

Até a mesma Simonediz

que ela veio daqui. 

Dorival com seu Caymi,

e a bela prosa ardente

Olhando no sol bem quente

decifrava sua fonia

que depois de alguns anos

eram hinos da Bahia. 

Ainda falta o forró,

os bois, São João,

enfim

Que é loucura o que eu vejo

nas lavagens do Bomfim. 

Até o prefeito se instala

nesta cultura “maluca”.

Pregando os evangelhos

para alimentar muvuca.

E então todo o  mundo vota

e ele sai vencedor

Aqui o mundo está em joelhos.

Ai! Onde estás meu Sr? 

Vou fechar este romance

porque o tempo não me alcança

para botar na balança

o baiano com seus transes. 

Vim-me aqui à Bahia

a mostrar meu son cubano

mas a paixão já existia

e fiquei na contramão.

 

Luis Alberto Alonso/Versos scritos para uma monografia de Antropologia/ UFBA.2005

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